Trato ou Síndrome da Banda Iliotibial

trato iliotibial banda - revista correr

Síndrome da Banda Iliotibial

Trato Iliotibial – Lesão que ocorre por “overuse” (uso repetitivo), embora possa ser iniciada através de uma pancada direta na região. No esporte é frequente em corredores e ciclistas

Síndrome da Banda Iliotibial (ou Síndrome do Trato Iliotibial, ou Síndrome do Atrito da Banda Iliotibial) é uma lesão inflamatória do joelho, que ocorre no tecido chamado Banda Iliotibial. Esse tecido fica na parte lateral do joelho, e acaba raspando numa proeminência óssea da região, gerando a inflamação. É a mais frequente causa de dor em região lateral do joelho.

O que é a Banda ou trato Iliotibial?

Banda Iliotibial e Trato Iliotibial são a mesma coisa, ou seja, um tecido fibroso que desce pela região lateral da coxa. A Banda se origina nos músculos Glúteos e no músculo Tensor da Fáscia Lata, descendo pela coxa e se fixando na região lateral da perna. É num ponto logo acima da linha do joelho que ela pode raspar contra o côndilo femoral e gerar a Síndrome da Banda Iliotibial.

PRINCIPAIS sintomas

Os sintomas incluem dores na região lateral do joelho, especialmente logo acima da linha da articulação. Essas dores têm início progressivo, e aumentam à medida que a pessoa segue na prática da atividade física sem tratamento, sendo que podem ser combinadas com queimação. Pode haver inchaço na região da dor. Normalmente a dor não cessa com a continuidade da atividade, diferentemente das tendinopatias.
A dor pode ser intensa e se espalhar por outras regiões, subindo pela coxa ou descendo pela perna. Pode também haver crepitação (estalidos e rangidos) na região externa do joelho.
Em esportistas, a dor pode se iniciar sempre a partir do mesmo momento no treinamento, ou seja, do mesmo quilômetro percorrido no caso de corredores e ciclistas.

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Com o que a Síndrome da Banda Iliotibial pode ser confundida?

A Síndrome da Banda-Iliotibial pode ser confundida com condições como lesão do menisco lateral, lesões do ligamento colateral lateral, lesões do músculo poplíteo, Síndrome da dor patelofemoral, Lesões do Bíceps Femoral e dores referidas da coluna lombar.

Como alguém PODE desenvolver?

Através de atividades de dobrar e esticar o joelho repetidas vezes, sendo que estarão predispostas aquelas que tiverem certas alterações que favoreçam o atrito entre a Banda Iliotibial e o fêmur. Esse atrito, que ocorreria em posições em que o joelho estivesse dobrado a pouco menos de 30º (trinta graus) se repetiria até o ponto onde se iniciaria um processo inflamatório que o corpo não conseguiria reverter.
Assim se originaria um caso de Síndrome da Banda Iliotibial ou Síndrome do Trato Iliotibial.

Fatores que predispõem O DESENVOLVIMENTO

No caso de esportistas, erros de treinamento, como treinos inadequados para o atleta, alterações repentinas do treino, como aumento da distância percorrida, atividades em superfícies inclinadas e/ou duras, troca de calçados, dentre outros, são fatores que podem predispor à ocorrência da Síndrome da Banda-Iliotibial.
Alterações da estrutura anatômica, como ter uma perna mais comprida que a outra, retro pé varo, aumento da proeminência do côndilo femoral, retroversão do colo femoral, também podem favorecer o surgimento da lesão.

Erros de movimento que podem predispor à Síndrome da Banda Íliotibial

Do ponto de vista mecânico, alguns dos erros que poderiam favorecer o surgimento da Síndrome da Banda Iliotibial são:

Rotação da perna para dentro: isso pode acontecer quando a perna gira para dentro por sob a coxa, ou com a coxa rodando externamente por sobre a perna. Ambos os mecanismos levam o ponto em que a Banda Iliotibial se fixa na perna para frente, favorecendo assim que ela raspe contra a proeminência óssea.
Pisada com a perna muito embaixo do corpo: isso causa um movimento de “adução do quadril”, que acaba por esticar em excesso a Banda Iliotibial, favorecendo assim sua compressão contra o joelho.
Tensionamento excessivo do músculo tensor da fáscia lata: esse músculo dá origem à Banda Iliotibial, e se está muito tenso ou curto, ele estica a Banda Iliotibial, o que além de sobrecarregá-la, vai comprimi-la contra o joelho.

Excessiva tensão dos glúteos: favoreceria a rotação externa da coxa por sobre a perna, como vimos acima.
Falta de força dos músculos laterais do quadril, incluindo glúteos: isso poderia promover um excessivo tensionamento do músculo tensor da fáscia lata, pois este se tornaria o principal abdutor (e estabilizador da bacia quando o pé está apoiado na corrida – a bacia é estabilizada lateralmente pelos glúteos, se eles não se ativam, o tensor da fáscia lata pode tentar fazer essa função).

Pronação excessiva do tornozelo: isso rodaria a perna por baixo da coxa, como vimos acima.
Excessiva flexão de joelho durante a corrida: na fase de apoio da corrida, dobrar muito o joelho o colocaria na posição que favorece o atrito da Banda Iliotibial, ou seja, pouco menos que 30º.
Pouca endurance muscular ou pouco condicionamento físico: isso favoreceria a fadiga de músculos que controlam o movimento, predispondo às alterações mencionadas acima.

Thiago Pereira - Canelite Revista CorrerThiago Luis Domingues Pereira é graduado em Fisioterapia pela
Universidade Barão de Mauá;
pós-graduado em Fisiologia do Exercício
aplicado ao Treinamento Físico pela UFSCar;
possui especialização em Bandas Neuromusculares e
atualmente cursa Osteopatia Estrutural.

Contato: thiagofisiorp@gmail.com

Matéria extraída da Revista Correr (junho-julho/16)

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