GLUTAMINA, saúde muscular e imunológica

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GLUTAMINA, saúde muscular e imunológica

A glutamina é um dos 20 aminoácidos existentes, os quais são muito importantes na dieta do atleta

A indústria de suplementos alimentares vem investindo cada vez mais em produtos para proporcionar um melhor desempenho esportivo para os corredores. Não são poucos os produtos disponíveis e é sempre difícil identificar quais deles realmente podem oferecer benefícios consistentes. Dentre eles, a glutamina tem se tornado cada vez mais comum na rotina suplementar daqueles que fazem da corrida seu esporte oficial.

Quais benefícios a glutamina pode oferecer?
Há contraindicações? Como consumir?

A glutamina é um dos 20 aminoácidos existentes, os quais são muito importantes na dieta do corredor. Eles constituem a menor unidade na composição de uma proteína e são classificados em dois grupos: não essenciais, por serem produzidos pelo próprio organismo, e essenciais, obtidos pelo consumo de alimentos.
Não é considerado um aminoácido essencial, pois pode ser produzida pelo próprio corpo a partir de outros aminoácidos. No entanto, mesmo sendo produzida pelo corpo, deve ser um nutriente de atenção na dieta do praticante de corrida, já que, durante períodos de alto treinamento, a produção corporal desse aminoácido pode não suprir a demanda exigida pelo organismo, estabelecendo um quadro de deficiência. Por essa razão, a literatura científica reclassificou esse aminoácido como “condicionalmente essencial”.

A glutamina está envolvida em diferentes funções como recuperação muscular e fortalecimento da saúde imunológica do atleta. Em condições normais, é o aminoácido livre mais abundante no sangue e no tecido muscular, representando cerca de 20% do total de aminoácidos livres presentes em nossa corrente sanguínea. No entanto, em situações de elevado catabolismo muscular, como treinos intensos e provas longas, a concentração de glutamina pode tornar-se reduzida, com queda de até 50%. A menor disponibilidade desse aminoácido, pós-exercício, pode diminuir a recuperação muscular, favorecer a queda da imunidade e, consequentemente, o aparecimento de infecções, especialmente do trato respiratório.

O corredor deve manter uma alimentação balanceada de forma a garantir que todos os nutrientes sejam oferecidos via alimentar. Sendo assim, para assegurar que o consumo desse importante aminoácido está adequado, mantenha em sua dieta alimentos como carnes, ovos, derivados de leite e soja, salvo contraindicação anterior.

Em casos de deficiência ou na presença de sinais clínicos, como fadiga, dor muscular persistente, aumento de infecções e suspeita de overtraining, a suplementação de glutamina é um recurso possível para a reversão do quadro e melhora do desempenho do atleta.

Além disso, a necessidade de suplementação é determinada pela intensidade e duração dos treinos e provas. Quanto mais intensa e longa, maior a indicação de ergogênicos nutricionais, como a glutamina e carboidratos.

Especialmente em maratonistas, a diminuição severa das concentrações de carboidrato, aumenta a circulação de hormônios de estresse no organismo e provoca maiores taxas de disfunções imunológicas, como o aumento da concentração de marcadores pró-inflamatórios, por exemplo, os linfócitos T. Nesse quadro, a estratégia nutricional de suplementação de glutamina modula a resposta hormonal, reverte o quadro da inflamação e atua como um importante agente anti-inflamatório.

No momento da suplementação, há também diferenças importantes entre homens e mulheres. Os estudos demonstram que a concentração de glutamina, após intensos treinos ou provas, é menor em homens do que em mulheres. Isso se deve à melhor capacidade que nós, representantes do sexo feminino, temos de estocar amônia e, consequentemente, sintetizar glutamina. Dessa forma, mulheres podem não obter o mesmo grau de benefícios da suplementação como os homens.

BENEFÍCIOS

  • Ação anticatabólica, ou seja, favorece a manutenção muscular
  • Importante repositor de energia em provas de longa duração
  • Auxilia a remoção de metabólitos produzidos durante treinos intensos, como a amônia
  • Fortalece o sistema imunológico do corredor no período de 3 a 72 horas após uma sessão intensa de exercícios
  • Reduz o risco de lesões
  • Diminui a incidência de overtraining
  • Fortalece a saúde intestinal
Contraindicações
Pacientes diabéticos não devem consumir sem prescrição por nutricionista ou médica, já que a glutamina pode favorecer o aumento do açúcar na corrente sanguínea.
Efeitos adversos do consumo
Não há efeitos relatados na literatura.
Doses e modo de consumo
O momento do consumo deverá levar em conta o objetivo do atleta, seja visando recuperação muscular ou melhora da função imunológica.
As doses sugeridas variam de 5 a 20 gramas por dia.

A suplementação deve ser indicada por profissional nutricionista ou médico, levando em conta as necessidades individuais, ingestão alimentar, atividade física e fases do treinamento. Utilizar suplemento sem indicação pode fazer mal à saúde.

Andreia Bim Glutamina Revista Correr

 

Por Andréia Bim
andreiacbim@gmail.com

Andréia Bim é
Nutricionista Clínica formada
pela Faculdade de Medicina
de Ribeirão Preto da
Universidade de São Paulo
(FMRP/USP).

 

 

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Artigo extraído da Revista Correr (abr-mai/16)